O que faz um profissional de Eletroeletrônica

Em 2023, o setor de eletroeletrônica alcançou o faturamento de R$ 204,6 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), totalizando US$ 7,2 bilhões em exportações, o que representa o aumento de 8% em relação a 2022. Houve crescimento de vendas de +34% em bens de Automação Industrial, +33% em bens de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD) e +24% em Material Elétrico de Instalação. Os principais destinos das exportações são Estados Unidos e países da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração), que representaram 70% do total.

As importações alcançaram US$ 42,7 bilhões, de acordo com a Associação. Sendo que a importação de módulos fotovoltaicos atingiu seu recorde histórico em unidades, crescendo de 146 milhões de módulos, em 2022, para 164 milhões, em 2023, um aumento de 13%.  Estes módulos chegaram à 4ª posição no total geral das importações do Brasil, totalizando um valor de US$ 3,8 bilhões.

Como funciona a área de eletroeletrônica

A eletroeletrônica é a área que mistura conhecimentos de elétrica e eletrônica, dois setores que se fundem na indústria pela proximidade que têm, visto que a primeira se relaciona a fluxos de alta potência, e a segunda a fluxos de baixa. Outra diferença entre elas é o meio que cada corrente se propaga no vácuo ou em material semicondutor: a de alta potência, elétrica, não se propaganda nesses meios, enquanto a baixa, eletrônica, se propaga. Desta forma, cada uma tende a ter usabilidade em diferentes aplicações.

Os profissionais formados em eletroeletrônica têm possibilidade de atuar em diversos segmentos, os principais são os de energia elétrica (produção, transmissão e distribuição), telecomunicações, informática, mecatrônica e materiais elétricos. Podem trabalhar diretamente nas empresas ou como autônomos, neste caso, prestando serviço e somando experiência em diferentes setores ou focando o atendimento a um nicho. Também podem vir a trabalhar em âmbito científico, contribuindo em projetos de pesquisa e desenvolvimento para as indústrias.

Importância de um profissional capacitado no setor

Nós vivemos cercados de eletroeletrônica, desde os aparelhos que usamos, como celulares e televisores, aos ambientes que passamos, que necessitam de instalações, automações e integrações para que possamos utilizar, principalmente, energia e iluminação. A própria demanda em desenvolvimento de produtos eletroeletrônicos torna necessário ao mercado termos profissionais capacitados para o setor. É um trabalho que exige grande responsabilidade e atenção à segurança, tanto sua, quanto de outros à volta.

O técnico em eletroeletrônica tornou-se um profissional muito versátil e requisitado, combinando conhecimentos sólidos em eletricidade, eletrônica e automação, com habilidades práticas de instalação, manutenção e reparo de sistemas.  O perfil de um técnico em Eletroeletrônica costuma ser de uma pessoa curiosa, que gosta de compreender o funcionamento de aparelhos, com raciocínio lógico e maior aptidão para matemática e física. Geralmente, ainda é criativa para resolução de problemas, gosta de desafios, e tem interesse em tecnologia e inovação.

As demandas do mundo do trabalho para a área de eletroeletrônica exigem profissionais qualificados capazes de integrar tecnologias avançadas como IoT, inteligência artificial e automação em processos industriais, ao mesmo tempo que se adaptam à crescente transição para fontes de energia renováveis, como solar e eólica. Temos também outro segmento muito requisitado: a automação predial, que demanda habilidades, principalmente, na instalação de novos dispositivos para automação residencial e sistemas de controle e segurança.

Formação técnica

O Curso Técnico em Eletroeletrônica do SENAI-RS forma profissionais com sólidos conhecimentos para projetar, implementar, fazer manutenções e coordenar implementações de sistemas eletroeletrônicos prediais e industriais, analógicos e de potência e digitais. Os egressos do curso estarão aptos a atender às demandas funcionais destes sistemas, seguindo as especificações dos fabricantes, das necessidades do cliente e das características do contexto, cumprindo normas e procedimentos de saúde e segurança, qualidade e meio ambiente.

Ao longo do Curso Técnico em Eletroeletrônica, os alunos terão a oportunidade de aprender os componentes eletroeletrônicos e os fundamentos técnicos e científicos básicos de eletricidade e dos princípios da análise de circuitos. Aprenderão, ainda, ferramentas e instrumentos de trabalho, inclusive os específicos para testes e medições, bem como a organizar projetos de implementação eletroeletrônica, montar protótipos e integrar sistemas.

Jovem Aprendiz: tudo o que você precisa saber sobre o programa

O Programa Jovem Aprendiz Industrial é uma oportunidade para jovens entre 14 e 24 anos se prepararem profissionalmente de forma gratuita e remunerada para o mercado de trabalho.  É ideal para os jovens que buscam qualificação profissional durante a experiência do primeiro emprego. 

A obrigatoriedade para participar é estar matriculado e frequentando a escola regular, caso não tenha concluído o ensino médio.  

A partir do programa, os participantes têm a oportunidade de inclusão social com o primeiro emprego e de desenvolver competências para o mundo do trabalho. Já os empresários têm a oportunidade de contribuir para a formação dos futuros profissionais do país, difundindo os valores e cultura de sua empresa, bem como instruir para o mundo profissional. 

O contrato de trabalho pode durar até dois anos e, durante esse período, o jovem recebe formação técnico-profissional por meio atividades teóricas e práticas de complexidade progressiva desenvolvidas pela entidade formadora e vivência profissional nas empresas.  Os jovens podem ser indicados e contratados pelas indústrias do Rio Grande do Sul para realizarem cursos que conectam a formação profissional e o mundo do trabalho, conforme legislação vigente.  

Além disso, a validade do contrato de aprendizagem está atrelada à matrícula e frequência na escola regular, caso não tenha concluído o ensino médio, e matrícula em cursos de aprendizagem desenvolvidos pelos Serviços Nacionais de Aprendizagem como o SENAI, que é o responsável pelo programas de  aprendizagem voltados para a indústria. 

Como participar do Jovem Aprendiz? 

Há mais de uma forma de participar do programa de Aprendizagem Industrial: 

  1. A empresa pode selecionar os jovens e encaminhá-los com a Carta de Indicação do aprendiz para que realizem a matrícula no curso de interesse em todas as áreas que o SENAI atende; 
  2. O aprendiz também pode se inscrever através de editais de cadastro que ficam disponíveis para as indústrias que desejam contratar aprendizes. Os editais podem ser acompanhados no site do SENAI/RS. Ao selecionar a região desejada, é possível visualizar se existem editais em aberto. Os candidatos aprovados no edital são selecionados pela indústria para ingressar no programa do SENAI. 

Quais as Empresas são obrigadas a contratar Jovem Aprendiz?  

Conforme determina o art. 429 da CLT, empresas de qualquer natureza, com pelo menos sete funcionários, são obrigados a contratar e matricular jovem aprendiz. Estas empresas devem reservar no mínimo 5% e no máximo 15% do quadro de funcionários para a função de aprendiz. Órgãos públicos e sociedades de economia mista também são obrigadas a contratar jovem aprendiz. 

O contrato de aprendizagem deve ser ajustado por escrito e por prazo determinado não superior a dois anos. No caso de pessoas com deficiência, o contrato de trabalho poderá ter prazo maior de duração, mesmo quando já ultrapassados os 24 anos. 

Benefícios que o Jovem Aprendiz tem acesso 

  • Salário: a remuneração do aprendiz é calculada com base no salário mínimo hora da carreira; 
  • Jornada: a carga horária diária pode ser de 4h, 6h ou 8h, a depender da escolaridade do jovem; 
  • Férias: as férias do aprendiz devem coincidir com as férias escolares para os menores de 18 anos; 
  • FGTS: a contribuição do FGTS corresponderá a 2% da remuneração paga ou devida no mês anterior; 
  • 13° salário: deve ser pago anualmente, de acordo com a lei, em dezembro ou de forma parcelada; 
  • Vale-transporte: benefício para que o profissional possa se locomover com transporte público para chegar ao trabalho.